Nas ruas da Capital, a iniciativa ainda não é conhecida por uma parcela significativa da população.
Lançado na última segunda-feira (4), o Desenrola Brasil 2.0 surge como uma alternativa para quem enfrenta dificuldades financeiras. Criado pelo Governo Federal, o programa oferece condições facilitadas para renegociação de dívidas, com descontos que podem chegar a 90%, juros menores e até a possibilidade de usar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar pendências.
Apesar disso, nas ruas de Campo Grande, muitos dos entrevistados pelo Jornal Midiamax ainda não tinham conhecimento da ação. Após entenderem como funciona, alguns enxergam o programa como uma chance de regularizar a situação financeira, enquanto outros demonstram ressalvas.
A merendeira Maria dos Santos, de 68 anos, acredita que a iniciativa pode ajudar pessoas a retomarem a vida financeira. Segundo ela, a proposta traz tranquilidade ao permitir que as pessoas se livrem das dívidas. “Às vezes, quando a gente percebe, já virou uma bola de neve. Com essa oportunidade, dá para reorganizar a vida e voltar a ficar em dia, sem esse peso”, afirma.
A promotora de vendas Vera Lucia também vê benefícios, especialmente para quem enfrenta dificuldades econômicas. Ela destaca que imprevistos, como a perda de emprego, podem levar ao acúmulo de dívidas. “Tem gente que precisa escolher entre pagar contas básicas ou se alimentar. Nessas situações, o programa ajuda bastante”, diz.
Por outro lado, Vera pondera que a medida pode incentivar algumas pessoas a se endividarem propositalmente. “Tem quem acabe contando com esse tipo de programa no futuro e se enrola mais por causa disso”, completa.
A vendedora Cristiane de Souza apoia ações governamentais voltadas à população, mas levanta questionamentos sobre possíveis impactos a longo prazo, principalmente para famílias em situação de vulnerabilidade. Para ela, existe o risco de novas dívidas surgirem com a expectativa de renegociação futura. “É preciso pensar bem. Muitas pessoas não têm informação suficiente e podem acabar se complicando ainda mais”, ressalta.
Já a aposentada Iná Domingues Monteiro acredita que o programa pode estimular o ciclo de endividamento. “Na minha opinião, as pessoas limpam o nome e logo voltam a gastar. Talvez fosse melhor esperar e buscar uma solução mais estruturada”, avalia.
O Desenrola Brasil 2.0 é destinado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e tem como objetivo diminuir a inadimplência no país. A iniciativa foi instituída por meio de medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nesta nova fase, o programa terá duração de 90 dias e está dividido em quatro modalidades: Desenrola Famílias, voltado a quem ganha até cinco salários mínimos; Fies, direcionado a estudantes do ensino superior; Empreendedor, para micro e pequenas empresas; e Rural, destinado a pequenos produtores e assentados da reforma agrária.