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Quando a idade não define o comportamento: por que jovens parecem mais adultos e idosos, mais jovens?

Por Higor Alexandre | 14/08/2026 12:15

Tricô, jardinagem e cerâmica deixaram de ser atividades associadas apenas às “senhorinhas”. Entre os mais jovens, esses hobbies vêm ganhando espaço e, em alguns casos, substituindo as tradicionais baladas. Enquanto isso, a chamada geração prateada também tem ocupado novos espaços, participando de aulas de academia e pilates, corridas, danças e até frequentando boates.

A mudança mostra que os comportamentos entre as gerações estão cada vez menos presos à idade. Mas o que está por trás dessa transformação? Busca por validação, autoafirmação, medo de envelhecer ou de parecer imaturo? Para o psicólogo Eliezer Grillo, mestre em Psicologia da Saúde, a explicação passa por mudanças sociais mais amplas.

Por muito tempo, determinadas atividades foram diretamente relacionadas a faixas etárias específicas. Crochê, novelas e xadrez, por exemplo, eram vistos como “coisas de velho”, enquanto festas, esportes e uma rotina mais agitada eram considerados próprios da juventude.

Hoje, porém, essa divisão está mais difícil de definir. A idade deixou de funcionar como um marcador tão rígido de comportamento, e os estilos de vida passaram a ocupar espaços mais fluidos entre as diferentes gerações.

De acordo com Eliezer, fatores como o avanço da tecnologia, a popularização das redes sociais e a busca por status ajudaram a transformar essa relação. O resultado é uma sociedade cada vez mais conectada e, ao mesmo tempo, marcada pela valorização da juventude.

“Nesse contexto, práticas mais lentas, como tricotar, jogar xadrez ou assistir a uma novela, podem funcionar para os jovens como uma espécie de contraponto à hiperconectividade e à aceleração”, explicou.

Na outra ponta, pessoas mais velhas também passaram a experimentar atividades que antes eram menos associadas à terceira idade. Para o psicólogo, exercícios físicos, dança e novas experiências podem representar uma oportunidade de ampliar horizontes e se afastar dos antigos estereótipos relacionados ao envelhecimento.

“Por outro lado, pessoas mais velhas podem encontrar nas atividades físicas, na dança e em novas experiências uma maneira de ampliar suas possibilidades de vida e romper com os estereótipos associados ao envelhecimento”, acrescentou.

Escolhas também comunicam identidade

A mudança de hábitos também pode estar relacionada à forma como cada pessoa deseja se apresentar socialmente. Segundo o especialista, a necessidade de reafirmar uma identidade não pode ser descartada e faz parte de um comportamento natural do ser humano.

Com as redes sociais, escolhas pessoais passaram a ter ainda mais força na construção da imagem que cada indivíduo transmite. Atividades como crossfit, tricô, dança ou o hábito de acompanhar novelas podem, portanto, representar não apenas lazer, mas também uma maneira de demonstrar pertencimento e expressar quem se é.

“Nas redes sociais, nossas escolhas passaram a comunicar quem somos. Assim, fazer crossfit, tricotar, dançar ou assistir a novelas pode ser também uma forma de expressar pertencimento e construir uma determinada identidade”, esclareceu.

Para Eliezer, entretanto, o ponto principal não está em classificar uma atividade como jovem ou velha, mas em compreender o significado que ela possui para quem a pratica.

“Mais importante do que a idade da pessoa é entender o sentido que aquela experiência tem para ela”, ressaltou.