Uma paciente, que não teve o nome divulgado, ficou em estado grave após se automedicar com emagrecedor do Paraguai, em Mato Grosso do Sul. O caso foi notificado neste mês, na cidade de Ponta Porã, a 295 km de Campo Grande.Segundo apurado pela reportagem do Jornal Midiamax, a paciente deu entrada na área vermelha do hospital em estado grave, correndo risco de morte. Isso porque ela estava se automedicando com o emagrecedor Tirzepatida de 10 mg, oriundo do Paraguai. Os sintomas apresentados pela paciente foram: cetoacidose diabética grave, vômitos, dor abdominal intensa e lesão renal aguda. Por conta da gravidade, ela precisou receber insulina em bomba de infusão.
Primeira notificaçãoO caso chegou ao conhecimento da SES (Secretaria de Estado de Saúde) por meio de notificação no sistema VigiMed da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Vale lembrar que, atualmente, existe apenas este caso notificado no sistema envolvendo o uso de emagrecedores no Estado.Assim, a SES afirma que “agonistas dos receptores de GLP-1/GIP, como a tirzepatida, são contraindicados ou exigem extrema cautela em pacientes com Diabetes Mellitus Tipo 1, devido ao risco de cetoacidose diabética, inclusive em apresentação euglicêmica”.Além disso, o uso dos medicamentos deve ocorrer “apenas com prescrição médica e acompanhamento profissional, e que suspeitas de reações adversas devem ser notificadas nos canais oficiais da Anvisa“.
Anvisa alertaNo começo deste mês, a Anvisa emitiu um alerta para ressaltar os riscos associados ao uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP‑1 — conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”.Motiva-se o monitoramento médico justamente pelo risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes e fatais. Apesar do alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Deste modo, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e os modos de uso aprovados e constantes da bula.Casos de pancreatiteRecentemente, a autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA) informou que, entre 2007 e outubro de 2025, registrou 1.296 notificações de pancreatite relacionadas aos usuários desses medicamentos, incluindo 19 óbitos. No Brasil, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, houve o registro de 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e seis suspeitas de casos com desfecho de óbito.A preocupação com esses eventos motivou a determinação da Anvisa para que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desses medicamentos. Desde então, a prescrição médica ocorre em duas vias, e a venda só pode acontecer com a retenção da receita, assim como acontece com os antibióticos. A validade das receitas é de até 90 dias, a partir da data de emissão.Além disso, a decisão visa proteger a saúde da população brasileira, uma vez que se observou um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas. Assim, o uso indiscriminado e fora das indicações tende a elevar o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves.OrientaçõesEm caso de dor abdominal intensa e persistente, a agência recomenda que os usuários desses medicamentos procurem atendimento médico imediato. Além disso, as dores podem irradiar para as costas e vir acompanhadas de náuseas e vômitos — sintomas sugestivos de pancreatite.Ao suspeitar da reação, os profissionais de saúde devem interromper o tratamento e não dar prosseguimento caso o diagnóstico seja confirmado. A Anvisa reforça ainda a importância da notificação de eventos adversos no VigiMed, que contribui para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos no país.‘Corredor de risco’A SES já apreendeu mais de R$ 5 milhões em produtos irregulares — incluindo canetas/ampolas emagrecedoras e anabolizantes, por exemplo — em Mato Grosso do Sul. Realizadas pela Secretaria de Estado de Saúde, as ações de fiscalização sanitária ocorreram nas últimas semanas.Em 20 dias de operação, houve a apreensão de 9.964 itens. Na lista, estão medicamentos sem registro sanitário, anabolizantes, produtos falsificados e substâncias de circulação não permitida no território nacional. Do total, destacam-se:6.085 canetas e ampolas emagrecedoras, contendo substâncias como tirzepatida e retatrutida, sem autorização para venda no Brasil;2.265 unidades do chamado “Harp 100”, comercializado como fitoterápico, mas considerado irregular;Anabolizantes e outros medicamentos proibidos.
Creditos Midiamax