Uma operação conjunta de fiscalização foi realizada nesta quarta-feira (29), no condomínio conhecido popularmente como ‘Carandiru’, localizado no bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande. A ação ainda está em andamento e já resultou em prisão de um homem de 37 anos, apreensão de drogas, veículos e fechamento de um bar que funcionava de forma irregular.
De acordo com a GCM (Guarda Civil Metropolitana), a operação foi realizada a pedido da comunidade do entorno, que relatou problemas como tráfico de drogas, furtos, venda de bebidas a menores e furto de energia elétrica.
O vereador André Salineiro encaminhou o pedido aos órgãos competentes, reunindo forças da Polícia Civil, Polícia Militar, GCM, Semadur Secretaria Municipal De Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano), Vigilância Sanitária, SAS, Conselho Tutelar e Energisa.
Durante a ação, foram apreendidas porções de maconha e pasta base de cocaína, que ainda serão pesadas, além de vários objetos sem nota fiscal, como ‘maquita’, furadeira, caixa de som, bebedouro e carregador de bateria. Três veículos foram recolhidos, dois carros e uma motocicleta, sendo que a moto tinha mais de R$ 20 mil em débitos.
O inspetor Ponce, da Guarda Civil Metropolitana, explicou que a operação teve como foco atender as reclamações dos moradores e coibir práticas ilegais.
“Essa operação foi coordenada pelo vereador Salineiro, a pedido da comunidade, devido a vários furtos na região. Foi solicitada a presença da Guarda Civil, SEMADUR, Vigilância Sanitária e Patrulha Ambiental. A ação visa coibir o tráfico de drogas, furto de energia e comércio irregular. Também encontramos um bar funcionando sem alvará, com venda de bebidas alcoólicas a menores”, afirmou o inspetor.
Na residência do homem preso, os agentes com apoio da Energisa também constataram o furto de energia elétrica. O bar que funcionava no local foi interditado pela Semadur, e a mesa de sinuca usada no estabelecimento foi apreendida.
O preso, que já possui passagens pela polícia, foi levado para a 3ª Delegacia de Polícia Civil, onde será investigada a origem dos produtos e a propriedade das drogas.
O vereador André Salineiro destacou que a operação foi uma resposta às demandas da população local. “Muitas pessoas reclamam nas reuniões sobre segurança pública da situação do ‘Carandiru’. Produtos de furto e roubo acabam vindo pra cá, virando um mercado negro. Foram encontrados vários itens de receptação e drogas. Esse lugar está largado pelo poder público, e quem o utiliza para o crime precisa saber que o poder público vai atuar aqui também”, afirmou Salineiro.
Enquanto a ação avançava no condomínio, moradores do “Carandiru” demonstraram insatisfação com a forma como a operação foi conduzida. Eles afirmam não serem contrários à presença das forças de segurança, mas criticam o que consideram um exagero e estigmatização da comunidade.
“Não somos contra, mas não tinha necessidade disso que estão fazendo. Criminalidade tem em todo lugar, mas acham que tudo que roubam em Campo Grande trazem pra cá, e não é assim. Vir aqui ajudar ninguém quer, ninguém vem”, disse uma moradora.
Outro morador afirmou que a comunidade é formada por famílias trabalhadoras, que realizam ações sociais e eventos para crianças. “Somos todos família. Estão fazendo abaixo-assinado pra tirar a gente daqui, mas vão dar casas? Ou vamos sair daqui e morar na rua?”, questionou.
De acordo com os moradores, mais de 100 famílias vivem no local. Eles também se mostraram preocupados com a presença da equipe da Energisa, que participou da operação para verificar denúncias de furto de energia elétrica.
A empresa informou que o desligamento será feito apenas em uma unidade, onde houve confirmação de ligação irregular. As demais casas não terão a energia cortada neste momento, mas poderão passar por verificação posteriormente.
Apesar disso, o temor entre os moradores é grande. “Queríamos ter tudo certo, água, luz, internet, mas não podemos fazer isso, por ser área de invasão”, lamentou uma moradora.
Outro morador destacou que o momento da operação causou transtornos às famílias. “Tem criança chegando da escola daqui a pouco. Não tinha necessidade de tudo isso, foi um exagero”, afirmou.
Créditos Mídiamax