Antes de atirar e matar o servidor estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, afirmou que se sentia perseguido. O caso aconteceu na tarde de terça-feira (24), em uma residência localizada na Rua Antônio Maria Coelho, onde Bernal morava e mantinha um escritório.
Na quarta-feira (25), o delegado Danilo Mansur, responsável pela 1ª Delegacia de Polícia Civil — local onde Bernal se apresentou após o crime — informou ao Jornal Midiamax que o ex-prefeito relatou essa sensação de perseguição. Segundo ele, Bernal disse que sua casa já havia sido invadida anteriormente.
O inquérito deve ser finalizado nos próximos dias pela 1ª DP. Antes disso, novas testemunhas ainda serão ouvidas e imagens de câmeras de segurança passarão por análise. Mansur destacou que, apesar de Bernal ser uma figura pública, o caso será conduzido com cautela e imparcialidade. A investigação busca esclarecer os fatos e determinar se houve legítima defesa, como alegado pelo ex-prefeito.
O crime ocorreu em um imóvel que anteriormente pertencia a Bernal, mas que havia sido adquirido em leilão por Mazzini no ano passado. O servidor foi até o local acompanhado de um chaveiro, com o objetivo de tomar posse da casa, quando foi atingido por pelo menos dois disparos — um na região das costelas, que atravessou o corpo, e outro nas costas.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 14h e realizou manobras de reanimação por cerca de 25 minutos, mas a vítima não resistiu.
Após o ocorrido, Bernal se dirigiu até a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro para se entregar. O chaveiro que presenciou a situação foi levado ao Cepol (Centro Integrado de Polícia Especializada).
Em depoimento gravado, Bernal admitiu que ainda residia no imóvel leiloado. Ele afirmou que a casa já havia sido arrombada três vezes e que, na tarde de terça-feira, foi alertado pela empresa de monitoramento sobre uma nova invasão. Mesmo estando fora de Campo Grande, ele retornou e foi direto ao local.
Ao chegar, disse ter encontrado o portão arrombado e um veículo na garagem. Segundo ele, havia três pessoas dentro da casa, e uma delas avançou em sua direção. Bernal declarou que reagiu rapidamente e efetuou os disparos com a intenção de atingir a perna. Depois, foi à delegacia comunicar o ocorrido, sem saber que Mazzini havia morrido.
O imóvel foi levado a leilão devido a uma dívida com a Caixa Econômica Federal por falta de pagamento do financiamento. Além disso, a casa também foi alvo de penhora em decorrência de uma condenação relacionada ao período em que Bernal foi prefeito, entre 2013 e 2014.
Na época, ele firmou aditivos em convênios com as entidades Omep e Seleta para contratação de servidores. De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, os acordos, que deveriam atender crianças e adolescentes, foram utilizados para empregar pessoas sem concurso público, com finalidade política e desvio de recursos, violando a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Em 2022, Bernal foi condenado ao pagamento de multa civil de R$ 1 milhão. Posteriormente, o valor foi atualizado para R$ 1.928.668,74, o que resultou na penhora do imóvel, avaliado em R$ 3,7 milhões. Ainda assim, a Caixa colocou a propriedade à venda por R$ 2,4 milhões.