A participação do Brasil na Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim mais cedo do que a torcida esperava. A derrota para a Noruega marcou apenas a segunda vez que a Seleção Brasileira foi eliminada nas oitavas de final da competição, repetindo um cenário que não acontecia havia 36 anos, quando caiu diante da Argentina. Agora, os hermanos seguem como o único representante sul-americano entre os classificados às quartas de final.
Diante desse cenário, fica a dúvida: para quem vai a torcida dos brasileiros?
Rivalidade pesa na escolha
Nem mesmo a classificação emocionante da Argentina sobre o Egito, conquistada na terça-feira (7), convenceu o aposentado Milton Rodrigues, de 68 anos, a apoiar os vizinhos.
“Agora a gente tem que ‘secar’ os argentinos, né? Nosso time saiu fora, então não tem mais para quem torcer”, comenta. Sem um favorito para levantar a taça, Milton diz apenas que não quer ver a Argentina campeã novamente. “Senão vamos passar mais quatro anos ouvindo eles ‘encherem o saco’”, brinca.
O estudante de Educação Física Miguel Vilhalba, de 18 anos, compartilha do mesmo sentimento. Ele conta que torceu pelo Egito após a eliminação brasileira e acabou frustrado com a virada argentina.
“Eu estava torcendo para o Egito. Eles venciam por 2 a 0 aos 80 minutos, mas deixaram escapar. Agora estou procurando outro país para torcer”, afirma. Para ele, Espanha e França aparecem como as principais candidatas ao título.
Já o encarregado de açougue Rubens Eugênio da Silva, de 57 anos, prefere apoiar as chamadas “zebras” da competição, seleções que ainda buscam o primeiro título mundial.
“Vou torcer contra a França para não alcançar o Brasil em títulos. Minha torcida vai para os mais inferiores, como Marrocos e Bélgica”, diz.
Apesar de admirar o futebol de Messi, Rubens reforça que isso não muda sua posição. “Cada um pensa de um jeito, mas eu não torço para a Argentina. Gosto do Messi como jogador e como pessoa, mas não dá para torcer pela seleção deles.”
Torcida pela única sul-americana
Se por um lado a rivalidade fala mais alto para alguns, outros acreditam que a América do Sul deve permanecer unida nesta reta final do Mundial.
É o caso do mecânico Carlos Aparecido, de 43 anos, que decidiu apoiar a Argentina, principalmente pela presença de Messi.
“Vou torcer pela Argentina, que é a única sul-americana que ficou. Tem o Messi, e provavelmente estamos vendo a última Copa do Mundo dele. Agora é esperar o Brasil daqui a quatro anos”, afirma.
Para Carlos, a seleção argentina demonstrou força ao buscar a virada diante do Egito.
“Eles enfrentaram dificuldades, mas mostraram qualidade. Conseguir virar um jogo que estava 2 a 0 no fim mostra potencial para chegar à final e ser campeã. Seria magistral ver o Messi conquistar duas Copas seguidas e encerrar a carreira como artilheiro isolado da história dos Mundiais”, opina.
A trabalhadora doméstica Guida Leal, de 59 anos, também mudou sua torcida após a eliminação brasileira.
“Eu sou suspeita, mas vou torcer para a Argentina. Estava torcendo pelo Brasil, claro, mas agora minha torcida é deles”, conta. Ela revela que acompanhou a partida contra o Egito e que suas amigas também viveram a emoção da classificação argentina.
Mundial entra na reta decisiva
Mesmo sem o Brasil, a Copa do Mundo segue para sua fase decisiva. Nesta quarta-feira (8), o torneio teve o primeiro dia sem partidas desde o início da competição, em 11 de junho. Os confrontos retornam na quinta-feira (9), com a abertura das quartas de final.
Restam apenas oito seleções na disputa: seis europeias, uma sul-americana e uma africana. Até o momento, duas classificações foram definidas na prorrogação e outras quatro nos pênaltis. Ao todo, faltam apenas oito partidas para o encerramento do Mundial, marcado para 19 de julho.
A fase começa com França e Marrocos, na quinta-feira (9), às 16h (horário de Mato Grosso do Sul). Na sexta-feira (10), Espanha e Bélgica disputam outra vaga nas semifinais. Já no sábado (11), Noruega enfrenta a Inglaterra, às 17h, enquanto Argentina e Suíça se enfrentam às 21h.