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MS aos 49 anos: celulose impulsiona economia e transforma cidades

Por Higor Alexandre | 11/10/2026 19:27

Mato Grosso do Sul completa 49 anos com a indústria de celulose como um dos motores da diversificação econômica. Tradicionalmente marcado pela força da agropecuária, o Estado amplia sua presença no mercado internacional com grandes fábricas, expansão das florestas plantadas e processamento de matérias-primas. Na região leste, o chamado Vale da Celulose concentra investimentos bilionários e transforma municípios como Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas e Inocência.

Entre janeiro e agosto de 2026, os setores de celulose e papel movimentaram US$ 3,15 bilhões em exportações industriais, o equivalente a 40% do total exportado pela indústria estadual. Em 2025, as vendas externas somaram US$ 3,12 bilhões, com o envio de 6,91 milhões de toneladas. No mesmo ano, o setor empregava 24.430 trabalhadores, mais de três vezes o número registrado em 2010.

Segundo o Observatório da Indústria da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), o valor bruto da produção chegou a R$ 20,4 bilhões em 2024. O resultado reflete a expansão da base florestal e a instalação de empreendimentos que ampliam a capacidade produtiva e agregam valor à matéria-prima.

Para a economista Daniela Teixeira Dias, a industrialização representa uma mudança na estrutura econômica estadual ao ampliar o processamento local e reduzir a dependência da exportação de produtos in natura.

“Quando a gente fala de logística e tem um processamento mais próximo da matéria-prima, isso traz reduções de custos importantes”, explica.

A economista também destaca os incentivos fiscais como ferramentas para atrair empresas e aumentar a competitividade do Estado. O processamento local agrega valor aos produtos, gera empregos e movimenta outros segmentos da economia.

Investimentos bilionários ampliam produção

Inaugurada em 2025, a fábrica da Suzano, em Ribas do Rio Pardo, recebeu R$ 22,2 bilhões em investimentos e tem capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas de celulose por ano. A unidade consolidou o município entre os principais polos do setor em Mato Grosso do Sul.

Em Inocência, a chilena Arauco prevê investir US$ 4,6 bilhões em uma fábrica com capacidade anual de 3,5 milhões de toneladas. Em maio de 2026, as obras estavam 58% concluídas, com início das operações previsto para setembro de 2027.

Já em Bataguassu, a Bracell planeja construir uma unidade com investimento estimado em R$ 16 bilhões. O projeto depende das etapas de licenciamento ambiental e implantação.

Os empreendimentos fortalecem uma cadeia produtiva que abrange desde o cultivo de eucalipto até o processamento e a exportação de celulose.

Expansão muda a realidade dos municípios

Os impactos vão além das fábricas. Durante a construção e a operação, os empreendimentos ampliam a demanda por trabalhadores, fornecedores e serviços, além de estimular o comércio local.

Segundo Daniela, a instalação dessas indústrias desencadeia efeitos em diferentes áreas da economia, com geração de empregos, aumento da renda e abertura de novas empresas.

Em Ribas do Rio Pardo, a chegada de trabalhadores de diferentes regiões aumenta a procura por moradias, comércio e serviços. Durante a instalação da fábrica da Suzano, a economista estimou que a população do município poderia até dobrar após a conclusão das obras e a consolidação da atividade industrial.

“Com mais pessoas, surgem novas necessidades, como restaurantes, comércio e escolas”, ressalta Daniela, ao destacar a importância de o poder público acompanhar o crescimento.

O avanço exige planejamento para ampliar a oferta de moradias, escolas, serviços de saúde e mobilidade urbana. Sem investimentos proporcionais à expansão populacional, os municípios podem enfrentar dificuldades para atender à nova demanda.

Logística é desafio para o setor

A infraestrutura rodoviária também é estratégica para sustentar a expansão. A concessão da Rota da Celulose prevê melhorias em 870 quilômetros de rodovias, com investimentos estimados em R$ 10 bilhões, para facilitar o transporte da produção.

Com a capacidade industrial em expansão, a eficiência logística será fundamental para reduzir custos e manter a competitividade das empresas no mercado internacional.

Aos 49 anos, Mato Grosso do Sul reúne no Vale da Celulose um dos principais exemplos de diversificação econômica. A agropecuária continua central para o Estado, mas a indústria amplia as oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento regional.

O desafio é transformar os investimentos em benefícios duradouros, com planejamento urbano, infraestrutura e serviços públicos capazes de acompanhar o crescimento das cidades.