Mesmo sem figurar entre as grandes favoritas ao título da Copa do Mundo de 2026, a Seleção Brasileira não diminuiu o entusiasmo de uma tradição que atravessa gerações: a troca de figurinhas. O hábito, que por muitos anos esteve concentrado nas bancas de revista, ganhou novos espaços e hoje reúne colecionadores em diferentes pontos da cidade.
Shoppings, escolas, igrejas, praças e centros esportivos têm se transformado em locais de encontro para quem busca completar o álbum e encontrar as figurinhas mais difíceis. Na Vila Antônio Vendas, em uma arena esportiva de Campo Grande, as trocas já fazem parte da rotina de crianças e famílias antes e depois das atividades esportivas.
Enquanto aguardam o início dos treinos, jogos ou o término das aulas, os pequenos se organizam em rodas, exibindo suas figurinhas repetidas. Muitos pais que acompanham os filhos acabam participando das negociações e relembrando os tempos em que também colecionavam álbuns de Copas anteriores.
O empresário Rafael Fogaça, de 42 anos, observa que a atividade vai muito além do objetivo de completar a coleção. Segundo ele, os encontros incentivam a interação presencial entre as crianças. “Eles conversam olhando nos olhos, não pela tela. Além disso, aprendem a negociar. Minha filha tirou uma figurinha rara e já quis pesquisar o valor dela para usar nas trocas”, relatou.
Rafael destaca ainda que o álbum proporciona aprendizados relacionados à educação financeira. “Eles recebem mesada, usam o próprio dinheiro para comprar pacotes, negociam e fazem contas. Isso ajuda a entender o valor das coisas”, explicou.
A filha dele, Esther Fogaça, contou que começou a colecionar após ver os amigos envolvidos com as trocas. “Você compra o álbum e sente vontade de completar. Aí começa a trocar, conversar e fazer novas amizades”, afirmou.
Para a empresária Carolina Dolzan, os encontros também ajudam crianças mais tímidas a desenvolverem confiança para interagir. Ela relembra uma situação recente vivida pelo filho em um restaurante.
“Ele viu um casal com uma garrafinha de refrigerante que vinha com figurinha e criou coragem para perguntar se eles iriam utilizar. Não conseguiu a figurinha, mas conseguiu vencer a barreira de falar com pessoas desconhecidas”, contou.
Carolina acredita que a experiência fortalece ainda mais a convivência familiar. “Em um mundo tão conectado digitalmente, isso estimula o contato presencial. O álbum vira assunto dentro de casa, promove interação e cria lembranças entre pais e filhos”, disse.
Quem deseja participar dos encontros de troca pode acompanhar as divulgações feitas nas redes sociais dos organizadores. Bancas, clubes, escolas, associações e igrejas estão promovendo eventos voltados aos colecionadores.
O maior álbum da história
O álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 é apontado como o maior já lançado. Produzido pela Panini, ele reúne 980 figurinhas, incluindo versões especiais metalizadas, acompanhando a ampliação do torneio, que terá pela primeira vez 48 seleções.
A versão brochura custa R$ 24,90, enquanto as edições de capa dura variam entre R$ 74,90 e R$ 79,90. Os pacotes com sete figurinhas são vendidos por R$ 7, mantendo o custo de R$ 1 por unidade.
Completar a coleção pode exigir um investimento significativo. Em uma projeção sem considerar figurinhas repetidas, seriam necessários 140 pacotes, totalizando R$ 980 apenas na compra dos cromos.
Apesar dos custos, o álbum segue mobilizando crianças, adolescentes e adultos em bancas, escolas, centros comerciais e grupos de troca pela internet. Nas redes sociais, colecionadores organizam encontros para economizar nas compras e acelerar a missão de completar o álbum antes do início da Copa de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá.