Após ser devolvida à natureza, a onça-pintada Corumbella se afastou de áreas habitadas e segue em boas condições de saúde. Cerca de 20 dias depois da soltura, o animal cruzou o Rio Paraguai e agora está em deslocamento pelo Pantanal de Mato Grosso.
A onça foi capturada depois de aparecer nas proximidades de uma residência em Corumbá. Em abril deste ano, ela retornou ao local, matou uma cadela e, no dia seguinte, voltou em busca de galinhas. Diante da situação, foi retirada da região e levada para uma área remota na Serra do Amolar, onde foi solta no início de maio. Desde então, passou a ser chamada de Corumbella e vem sendo acompanhada por especialistas.
No momento da soltura, o animal recebeu um rádio-colar com GPS na região da RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) Acurizal, na Serra do Amolar. O monitoramento aponta que ela já deixou a área inicial e seguiu até o Parque Nacional do Pantanal de Mato Grosso, a dezenas de quilômetros de comunidades e áreas com presença humana.
De acordo com o IHP (Instituto Homem Pantaneiro), Corumbella apresenta bons sinais vitais e, desde que voltou à natureza, tem mantido distância de locais habitados. A comunidade Barra do São Lourenço, por exemplo, fica longe tanto do ponto onde ela foi solta quanto da região para onde se deslocou.
A previsão é que a onça continue sendo monitorada por cerca de um ano. Quando foi capturada, ela pesava 72 quilos e teve a idade estimada em quatro anos.
A operação é conduzida pelo Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário, formado por instituições como Ibama, Cenap/ICMBio, PMA (Polícia Militar Ambiental), Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, Defesa Civil de Corumbá, IHP, Jaguarte e outros pesquisadores.
O nome Corumbella significa “A Bela de Corumbá” e faz referência à espécie fóssil Corumbella werneri, um cnidário do período Ediacarano com cerca de 553 milhões de anos, considerado um dos primeiros animais pluricelulares da Terra. O fóssil foi descoberto na região de Corumbá e é apontado como um dos mais importantes do país nesse período.
A soltura da onça na Serra do Amolar marcou uma ação inédita de translocação, proposta pelo Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário, que também desenvolve pesquisas científicas voltadas à compreensão do comportamento da espécie no Pantanal.