A audiência de instrução e julgamento sobre o ataque a policiais penais em 2024, que tem como réu Dyonathan Celestino, conhecido como “Maníaco da Cruz”, estava marcada para a tarde desta terça-feira (28), mas acabou sendo adiada. Agora, a nova sessão, que contará com a presença física do acusado, está prevista apenas para novembro, quando devem ocorrer a oitiva das testemunhas e um possível interrogatório.Internado em uma ala psiquiátrica do IPCG (Instituto Penal de Campo Grande), Dyonathan responde pelo episódio ocorrido em 29 de setembro de 2024. Na ocasião, por volta das 16h45, durante o banho de sol no solário, ele teria se recusado a retornar para a cela. Conforme o registro, foi necessário o uso de escudo para contê-lo. Em seguida, ele teria ficado agressivo e lançado uma garrafa pet com urina contra um policial penal. Na época, servidores relataram em boletim de ocorrência que esse tipo de agressão, com arremesso de dejetos biológicos, era frequente.Outro caso envolvendo o interno teria acontecido no mesmo mês, porém em 2023, quando ele também teria atacado um policial penal, que sofreu fratura no nariz. Segundo o relato, Dyonathan estava bastante alterado no solário da cela especial e também se recusava a entrar no espaço.Ainda conforme a ocorrência, ele se jogava no chão, contra as paredes, gritava que mataria os policiais e exigia erva de tereré, ameaçando causar problemas aos servidores caso não fosse atendido. A equipe de segurança foi acionada, mas ele continuou resistindo, segurando-se na porta para evitar ser colocado no local, além de tentar atingir os agentes com socos e chutes. O caso foi registrado como lesão corporal dolosa e resistência.As vítimas atribuídas a Dyonathan são Gleice Kelly da Silva, de 13 anos, Letícia Neves de Oliveira, de 22, e Catalino Gardena, de 33 anos. Ele foi identificado após a polícia localizar uma mensagem no perfil de Gleice, no Orkut, deixada por um usuário chamado “Dog Hell 666”.Com a quebra do sigilo telefônico, os investigadores descobriram que Dyonathan continuava ligando para a adolescente mesmo após a morte dela. Em outubro de 2008, ele foi apreendido em casa e encaminhado para a Unei (Unidade Educacional de Internação) de Ponta Porã. Posteriormente, em 2013, fugiu para o Paraguai, onde acabou localizado e preso.Na época da apreensão, Dyonathan afirmou que matou as vítimas porque, segundo ele, elas não seguiam os preceitos de Deus. Ele alegava que Catalino era alcoólatra e homossexual, Letícia era travesti e Gleice seria usuária de drogas.Posteriormente, a Justiça determinou a interdição de Dyonathan, e a medida de segurança mantém sua internação no IPCG, na ala de saúde, por ser considerado inapto ao convívio social. Recentemente, ele também foi condenado por ameaçar um agente.