Destaques

Chikungunya: MS em alerta

Por Higor Alexandre | 28/03/2026 13:34

Mato Grosso do Sul já soma 3.237 casos prováveis de chikungunya. O Ministério da Saúde confirmou a sétima morte pela doença no estado. A vítima é uma mulher de cerca de 80 anos, residente em Jardim, município localizado a 239 quilômetros de Campo Grande. A cidade, que tem pouco mais de 23 mil habitantes, registra aproximadamente 261 casos suspeitos de contaminação.

A incidência no município chega a 1.065 casos prováveis por 100 mil habitantes, o que caracteriza situação de epidemia. A equipe de reportagem entrou em contato com a prefeitura, mas não houve retorno até o momento.

Atualmente, cerca de onze cidades sul-mato-grossenses enfrentam epidemia da doença. O alto número de casos suspeitos acende um alerta para a intensificação das medidas preventivas. No estado, a maioria dos registros ocorre entre mulheres, que representam 57% dos casos, enquanto a faixa etária mais atingida é a de 30 a 40 anos.

A tendência é de aumento?

De acordo com o infectologista Júlio Croda, o período sazonal da chikungunya se estende até o final de abril ou início de maio, indicando que ainda deve haver cerca de um mês de crescimento nos casos. Condições como altas temperaturas e chuvas intensas favorecem a disseminação da doença.

“Devemos observar aumento no número de casos, internações e óbitos ao longo desse período”, afirma o especialista. Ele também destaca que os 966 casos prováveis registrados entre 1º e 15 de março podem refletir em mais mortes ao longo de abril. “Ainda estamos dentro do período sazonal e há mais de 200 pessoas hospitalizadas”, completa.

Em Dourados, cidade com maior número de casos graves e óbitos, 385 dos 431 leitos estão ocupados. Embora nem todas as internações sejam por chikungunya, a doença tem pressionado significativamente o sistema de saúde local. A taxa de ocupação hospitalar chegou a 97% na quarta-feira e está em 89% nesta quinta-feira (26), conforme boletim epidemiológico municipal.

O surto pode se expandir?

Segundo Júlio Croda, não há evidências, até o momento, de que o surto vá se espalhar por todo o estado. No entanto, há possibilidade de avanço da epidemia na região cone-sul.

Outros municípios, como a capital, apresentam um cenário mais controlado. Em Campo Grande, por exemplo, a presença da tecnologia Wolbachia contribui para reduzir o risco de grandes surtos.

Esse método consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela dentro do inseto. Com a reprodução desses mosquitos com a população local, forma-se gradualmente uma nova geração com a bactéria, diminuindo a transmissão das doenças ao longo do tempo e reduzindo a necessidade de novas liberações.