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Corregedoria da Polícia Civil abre investigação contra policiais presos em operação da PF

Por Higor Alexandre | 19/03/2026 6:05

Foi aberto um procedimento investigatório contra os policiais civis presos na Operação Iscariotes, deflagrada pela Polícia Federal e Receita Federal. A corregedoria deve apurar a conduta dos policiais Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca. 

Em nota, a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul) diz que: “A Sejusp informa que acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Iscariotes, por meio das corregedorias das instituições estaduais de segurança pública. A Sejusp ressalta que não compactua com quaisquer desvios de conduta por parte de seus servidores, adotando postura de rigor e transparência na apuração dos fatos. Destaca, ainda, que serão instaurados os competentes Processos Administrativos Disciplinares para a apuração individual de eventuais responsabilidades, e tomará medidas cabíveis necessárias ao longo de toda a apuração. A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética e a integridade no serviço público”.

O grupo criminoso que recrutava agentes de segurança pública, entre eles policiais civis, militares e bombeiros, teve R$ 40 milhões bloqueados. “Manga Rosa” e o policial Quevedo foram rpesos em casa. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas delegacias. 

A Operação Iscariotes prendeu quatro pessoas preventivamente, suspendeu dois investigados das funções públicas e cumpriu 31 mandados de busca e apreensão. Outro investigado também colocou tornozeleira eletrônica e seis tiveram o porte de arma de fogo suspenso.

Além dos mandados de busca, das prisões e suspensões de porte de arma, 12 pessoas físicas e jurídicas tiveram R$ 40 milhões bloqueados. Ao menos 10 imóveis e 12 veículos foram sequestrados e seis pessoas jurídicas tiveram as atividades suspensas.

A operação contou com apoio das corregedorias da PRF (Polícia Rodoviária Federal), da PM (Polícia Militar), da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul.

Policiais presos

Célio já foi alvo de operações anteriores — como a segunda fase da Omertà e a operação Snow. No portal da transparência, Célio tem salário de R$ 14.169,00. Um condomínio residencial de luxo, localizado nas proximidades de um shopping da Capital, também foi alvo dos mandados.

Já Quevedo é lotado na 5ª Delegacia de Polícia Civil e tem salário de R$ 14.467,00.

Investigações

A organização criminosa é especializada na importação fraudulenta de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado. Os eletrônicos eram importados sem documentação fiscal e sem a regularização dos órgãos de controle aduaneiro.

Após ingressarem com os produtos no Brasil, os criminosos distribuíam os eletrônicos, muitos fracionados, escondidos em cargas lícitas, para Campo Grande e outras cidades do país, especialmente em Minas Gerais. A organização criminosa usava veículos adaptados com compartimentos ocultos para facilitar o transporte e a distribuição dos eletrônicos.

Os criminosos também contavam com a participação de agentes vinculados a órgãos de segurança pública, alguns aposentados e outros da ativa, que usavam de suas funções para favorecer a atuação do grupo.

Os agentes forneciam e monitoravam informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais e também atuavam no transporte das mercadorias. Durante as investigações, vários criminosos foram presos em flagrante, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais.

Créditos: Midiamax